Por: Carla Cristina T. Lemes

Psicóloga CRP 06/60451

​Muitas vezes, ficamos paralisados diante da vida, esperando uma garantia externa, um mapa pronto para nos assegurar uma direção correta antes de sairmos do lugar. Essa busca por respostas definitivas, costuma ser uma estratégia do próprio Eu para evitar a angústia da escolha, mantendo-nos presos à fantasia, de que existe um destino idealizado e perfeito (FREUD, 1926).

​A psicanálise, nos ensina, que o desejo não funciona sob a lógica da certeza prévia. Esperar saber exatamente para onde ir, para só então começar a caminhar, é uma forma de resistência. É permanecer repetindo os mesmos velhos dilemas, por medo do desconhecido. (Freud, 1926).

O caminho não é uma estrada pronta que já está te aguardando, mas algo que só se constitui, à medida que uma escolha consciente, seja seguida por uma ação, um movimento.

​Estar em movimento é tornamo-nos sujeitos da nossa própria história e resgatar a nossa capacidade criativa de viver e reinventar o cotidiano (WINNICOTT, 1971).

A verdadeira travessia, não se dá ao chegar ao fim da jornada, mas no exato momento, em que nos autorizamos a dar o primeiro passo. Ter a coragem de caminhar, mesmo sem ter todas as respostas do inconsciente, já é, em si, o próprio caminho se fazendo diante de nossos olhos.

​É necessário construir sonhos e caminhos.

​Afinal, qual é o caminho? Ter a coragem de caminhar, já é um caminho.

​"Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda." Sigmund Freud (1926)

Referências Bibliográficas :

​FREUD, Sigmund. Inibições, sintomas e ansiedade (1926). In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v. XX. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

​FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização (1930 [1929]). In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v. XXI. Rio de Janeiro: Imago, 1996.  

WINNICOTT, Donald Woods. O brincar e a realidade (1971). Tradução de José Octavio de Aguiar Abreu e Vanede Nobre. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

​© 2026 Carla Cristina T. Lemes. Todos os direitos reservados. Texto protegido pela Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98). A reprodução parcial ou total é proibida sem autorização prévia por escrito.









post imagem